Entrevista | Clown fala sobre seu isolamento social com a Rolling Stone

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Enquanto o mundo luta contra uma pandemia, nós entramos em contato com nossos artistas favoritos com algumas perguntas sobre a quarentena nessa época sem precedentes. Clown, percussionista do Slipknot, está isolado em sua casa em Iowa, enquanto a banda promove uma nova reserva de seu whisky, “Slipknot No. 9”.

O que você está fazendo com esse tempo livre inesperado?

Estou refletindo, mais do que tudo. Eu tenho várias coisas que me irritam: uma delas é desperdício de comida e outra é sujeira. Passo muito tempo pensando nas pessoas que estão com frio, com fome e sem ter para onde ir. Nós vemos isso o tempo todo, mas agora é mais complicado. Então estou passando muito tempo refletindo em como sou abençoado. Tenho uma família ótima, não posso pedir por mais que isso.

Estou tentando sentir meus batimentos e prestar atenção, estou tentando fazer mais trabalhos manuais e estou refletindo muito sobre a morte da minha filha. Eu lidei com muitas mortes em um período curto de tempo e meu terapeuta e eu concordamos que eu nunca tive tempo para realmente sentir o luto de perder essas pessoas que eu amo. Eu perdi minha filha há quase um ano. Desculpe falar sobre isso, mas a única forma que eu tenho de superar é conversar sobre isso, algo que eu não estava fazendo. Mês que vem a morte dela completa um ano e eu estou em piloto automático.

Eu assisti “Náufrago” logo quando saiu e esse filme mudou a minha vida. Eu me preocupo com coisas assim. Não necessariamente com uma ilha, você pode estar preso em Queens (NY) ou em uma cidadezinha obscura em Iowa – você vai enlouquecer. Eu fiz uma fogueira semana passada pela primeira vez e foi difícil… estou muito interessado nessas coisas de sobrevivência, não por causa do momento que estamos passando, mas por uma jornada pessoal de entendimento.

Ao invés de estar em uma casa ou escritório, em um avião, um palco, um ônibus, blá blá blá, eu estou em casa, vendo um Gaio Azul (pássaro) tentando comer a manteiga de amendoim no comedouro que eu montei lá fora. Eu comprei, li as instruções, montei e agora tem um pássaro lá, isso é bem legal, sabe?

 

Que tipo de música você escuta em tempos de crise para se confortar e por que?

Eu sempre disse para as pessoas que a música é o único Deus que eu conheci. É a única coisa que sempre esteve lá, sem me questionar e sem me negar. E eu nem preciso ouvir, está na minha cabeça, nos pássaros, nos insetos. Desde que tudo isso começou, eu fico do lado de fora sem música, ouvindo apenas a música da terra – porque tem muita. E quando isso é interrompido por sirenes ou coisas do tipo, aí sim eu coloco uma música e eu tenho ouvido o catálogo dos artistas de forma cronológica. Outro dia fiz isso com o The Who, que é uma banda que eu gosto desde que era jovem.

Estou tentando aprender mais sobre música clássica, comecei a gostar há uns cinco anos e desde então estou tentando entender os movimentos e faço o mesmo com o jazz. Eu toco jazz desde a época da faculdade, nada muito elaborado, mas eu gosto e me divirto. E aí tem John Carpenter, tenho ouvido muita coisa dele enquanto cuido da minha bordo (árvore).

 

Tem mais alguma coisa que você queira dizer aos fãs?

Olá, todo mundo; eu amo vocês. Eu amo cada um de vocês e sei que me amam também então fiquem seguros. Conhecimento é um presente, é algo que você dá e recebe, então leve isso a sério. Precisamos lembrar que existem muitas coisas loucas desde influenza e malária até atos que tiram a vida de pessoas diariamente. Então nós usamos as habilidades que aprendemos quando jovens, sabe? Lavem as mãos, não passe a mão no nariz, leve o lixo pra fora, lave as mãos de novo… não beije aquela garota, ela está gripada. Há muitas tragédias por aí e eu quero focar em falar mais sobre o potencial positivo do mundo e é por isso que eu digo: eu amo todos vocês. Espero que estejam bem, nós vamos superar isso.

 

Fonte: Social Distancing With Clown From Slipknot: Poison Ivy, Blue Jays and Grief, por Brenna Ehrlich.

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